
Foto do Flickr de AHLAM - licença CC
Salário mínimo: R$ 465,00
Passagem de transporte coletivo em Salvador: R$ 2,20
Considerando as condições de um trabalhador que ganhe salário mínimo, trabalhe de segunda à sexta, pegue dois ônibus por dia e almoce ao custo de R$ 5,00 (cinco reais), resultaria a seguinte conta:
Salário: 465 reais
Passagem:88 reais por mês
Almoço: 100 reais por mês
465 – 88 – 100 = 277 reais.
277 reais para o que sobrar da vida. VEIAS ABERTAS!
Em Salvador (como eu acho cara essa passagem) foi implantado, a contragosto e em prejuízo da população, o sistema Salvador Card. O sistema utiliza um cartão eletrônico de meia-passagem (como em muitas outras cidades), que precisa ser revalidado periodicamente. Já sabemos os prejuízos resultantes desse sistema: a impossibilidade de pagar meia passagem em dinheiro, o que obriga muita gente – cujos ganhos são trocados diários – a pagar inteira quando os créditos acabam, inclusive para chegar até um posto de recarga, entre outras coisas.
Além disso, a revalidação do cartão é um processo dramático para os usuários (veja a matéria no A Tarde). Todo o processo é de responsabilidade do SETPS, o Sindicato dos Empresários de Transporte Coletivo de Salvador. As filas são gigantes e o (des)tratamento é ‘dispensável’: “O gerente de comercialização e atendimento do Salvador Card, Cláudio Malamut, responsabiliza a população…” pela espera de 5 horas numa fila, debaixo de chuva ou de um sol mortal, para poder ter direito a um direito. VEIAS ABERTAS!
Consideremos ainda a qualidade do serviço de transporte público: muitos ônibus velhos e ultra barulhentos; alguns motoristas irresponsáveis; escassez em diversas linhas e horários; superlotação absurda em horários de pico. Um trabalhador paga caro, leva horas no trajeto congestionado até chegar em casa, e no dia seguinte tem q sair muito cedo para não se atrasar… Se a carga horária é de 8 horas, despende-se ainda mais umas 4 ou 5 horas do dia em trâmites relacionados ao trabalho. VEIAS ABERTAS!
Mas todos aceitam numa boa, reclama dali e daqui, mas é a vida! Uma passagem que custa R$ 2,20 deveria, no mínimo, oferecer um bom serviço: ar condicionado aqui não é luxo; respeitar horários e parar no ponto; mais ônibus nos horários de pico e linhas mais eficazes.
Reação, por que não?
As pessoas, especialmente a comunidade estudantil (que protagonizou a exemplar ‘Revolta do Buzu’), deveriam experimentar um manobra:
Escolher um dia, a guisa de protesto, para pagar um preço justo e viável de passagem urbana em relação às reais condições de vida do trabalhador soteropolitano.
Sugiro, por exemplo, R$ 0,30 (trinta centavos). Naquele dia escolhido, de forma livre e espontânea, quem quiser pagar tal valor, pagará – quem quiser pagar os 2,20, fique à vontade. Que isso fosse feito em larga escala, durante todo o dia, com ampla participação dos estudantes e demais cidadãos. Por que não?
Tratar-se-ia de uma livre ação popular pacífica, sem transtornos cotidianos à cidade, justa, justíssima, considerando a necessidade de transporte como serviço público essencial. Poderia, inclusive, resultar em constatações positivas: o brutal lucro das empresas de ônibus seria reduzido minimamente, considerando que o volume de passageiros aumentaria muito com a redução da passagem – muita gente pegaria vários ônibus várias vezes.
Se os empresários de ônibus não tivessem lucros eles fariam protestos e não lobbys; eles faliriam, e não ficariam ricos – ou mudariam de negócio.
Flash mob
Dia 4 de abril, em Salvador, ocorrerá o Pillow Fight Day, dia internacional da guerra de travesseiros. Talvez seja divertido, mas por que não pensar num flash mob que, em vez de guerra, ofereça uma ação com maior potencial de repercussão, de mobilização pública, de difusão dessas novas formas de ações sociais: varram as ruas, catem o lixo, paguem 30 centavos por uma passagem de ônibus…
0,30 duas vezes por ano!!
Quem vai começar?
Vamos???
O autor da idéia pudia marcar um dia e começar a difundir a idéia! Que tal?? rsrs