
o meio é a mensagem
Caetano Veloso, em seu blogue Obra em Progresso, analisa semântica, gramatical e estilisticamente o texto ‘crítico’ de um famigerado jornalista de São Paulo, que classificou o show em homenagem a Tom Jobim – com Caetano e Roberto Carlos – como tedioso. Vale a pena ler os divertidos apontamentos de Caetano.
Caetano, embora tenha reagido a tal crítica, o fez, segundo ele, buscando falar ao público, e não ao jornalista que a escreveu. Aliás, é a postura que cabe ao artista: dirigir-se ao público. Afinal, o que é mesmo um crítico de música popular brasileira? Seria um cara que escreve buscando aplausos de professores da USP?
Quando se faz arte, faz-se para um público! O público não critica, mas frui o prazer estético. Antes eu lia críticas – escritas por gente renomada – dos filmes que eu assistia ou pretendia assistir; até perceber que não serviam para mim – não sou professor da USP. Os críticos se rasgam de desespero ou se derretem em elogios gratuitos, e nunca sabemos se a profundidade dos argumentos dura mais do que o tempo da temporada do filme, do show ou da peça – auferida a bilheteria, calam-se os críticos. Isso desde as Ilusões Perdidas de Balzac, leitura que recomendo enfaticamente.
Não descreio da importância do jornalismo cultural, embora eu dispense a leitura de críticas, exceto por alguma curiosidade fugidia de ver o ridículo esforço de alguns para desenterrar emboloradas leis estéticas e construir ‘alegorias’ maçantes para ilustrar um argumento que não passa de opinião descolorida e frígida. Só que arte é apenas arte, é mentira, é política, é poesia, é o que quisermos e a usamos para o fim que quisermos. Se quisermos falar de uma obra, por que não?, falaremos livres, sem olhar para os lados, sem patrão, sem claque. Quanto ao autor, o que poderia ele falar de sua obra? Afinal, ele é apenas o autor…