O xadrez, cujas origens remontam a milênios, é – no dizer de vários grandes mestres – arte e ciência. Ainda que tardiamente, o xadrez vem sendo inserido nos processos educacionais no Brasil (eu mesmo dei cursos de capacitação de professores para a aplicação pedagógica do xadrez em salas de aula – suas potencialidades educacionais são tão infinitas quanto suas possibilidades no tabuleiro).
Contudo, o xadrez ainda é, infelizmente, algo essencialmente desconhecido para muitos. Estávamos a jogar uma equilibradíssima partida – eu e meu amigo Fábio Henrique – na varanda do Salvador Shopping. De repente, nos vimos cercados por dois seguranças taticamente posicionados, que educadamente informaram que ‘é proibido ali qualquer JOGO DE AZAR’, ordenando, gentilmente, que interrompêssemos a partida imediatamente – pois havia câmeras nos mirando e eles tinham que executar as ordens que lhe foram dadas.
Creio que não seria prudente tentar explicar a diferença entre o xadrez e jogos de azar – afinal, os guardas estavam apenas a cumprir ordens (há gente assim, heteromotivada, que por escolha, necessidade ou alienação de si vivem a cumprir ordens alheias – geralmente usam fardas). Sem levantar discussões, prontamente interrompemos a partida – não sem antes memorizarmos a posição, pois a partida não estava para ser esquecida. Fábio só teve a feliz idéia de, olhando em volta enquanto acendia um cigarro, perguntar aos guardas: ‘mas beber e fumar e suicidar-se pode não é? Só não pode jogar xadrez!’…
Todos rimos, afinal ainda havia cerveja e mulheres…
foto: varanda do Salvador Shopping, por fabriciokc.
