A voz da ignorância

Ouvi o animador de auditório policialesco José Luiz Datena escrachar a internet, e mais especificamente o Google, por conta de abusos criminosos presentes na rede como a pedofilia. Ora! Os males da internet devem ser combatidos, mas não com bravatas irresponsáveis que, em vez de esclarecer, acabam por desinformar o público que ainda não acessa e nem sequer sabe o que é a internet.

Tal desconhecimento não se restringe ao povo de forma geral. A Justiça brasileira já deu mostras de olímpico desconhecimento do que é a internet, e de como ela funciona, sentenciando o bloqueio judicial do Youtube no episódio Cicarelli e impondo uma indenização no valor de 10 mil reais, por parte da Google, a um usuário que se sentiu lesado por causa de perfis falsos no orkut. O primeiro caso serviu para ensinar aos magistrados o que todos nós sabemos: que hoje, na internet, impedir a difusão da informação não é só indesejável, é impossível! O segundo ensejou um recurso da Google lembrando que, em tempos de web colaborativa – cujo conteúdo é resultado da participação e intervenção direta dos internautas – a empresa não pode se responsabilizar por tudo o que é publicado pelos usuários.

Comportamentos como o de Datena e de alguns magistrados acabam provocando naqueles que ainda estão excluídos da cultura digital uma atitude de desinteresse ou mesmo de rechaço a internet. Comunicadores de grande público e representantes do estado e da lei e da sociedade que não se interessam pela rede dão mostras que se desinteressam do futuro – que já está a porta…

One Response

  1. É bem verdade, só discordo de uma coisa… o futuro não está à porta…. o futuro é ontem….

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