Nós somos alvos

Noam Chomsky, em artigo¹ sobre armas nucleares e crise ambiental, cita o general Lee Butler, ex-chefe do comando estratégico dos EUA, que antes foi um dos mais ávidos defensores da fé nas armas nucleares, e hoje declara que tais armas nos fizeram um mal imenso: ‘Com que autoridade sucessivas gerações de líderes nas potências nucleares usurparam o poder de ditar o destino da continuidade da vida no nosso planeta? E, mais recentemente, por que esta audácia de tirar o fôlego persiste, em um momento em que nós deveríamos estar tremendo em face de nossa loucura e unidos no compromisso de abolir suas manifestações mais mortíferas?’

É de conhecimento de todos a existência de armas capazes de deixar uma esteira de devastação sem precedentes e as iminentes crises ambientais que assolarão o planeta, muito embora sejam preocupações maiores para a maioria das pessoas as novelas produzidas pelos telejornais e juntar grana para pagar a prestação do carro. A insanidade, portanto, não é só daqueles que fazem as bombas nem dos caras que, talvez um dia, as lançarão sobre nós. No artigo, lê-se que, após o fim da União Soviética, o Pentágono avalia que o ambiente internacional evoluiu de um ‘ambiente rico em armamentos’ para um ‘ambiente rico em alvos’ e comenta documentos produzidos por especialistas dos EUA que consideram como armas de guerra o abuso do poder de controle das finanças internacionais.

Portanto, não obstante as transformações que sofrem as formas de fazer as guerras e os motivos das matanças e conflitos, sempre haverá alvos, e hoje os alvos somos nós. – Se pensarmos o mundo com seus idiotas no poder, suas tensões de todas as ordens, seu esgotamento ambiental progressivo e suas armas com poder de destruição global, não somos mais do que alvos que sonham.

1. Artigo transcrito no jornal A Tarde neste domingo dia 5.

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