Professor Manta quer ganhar o Nobel*?

Trechos da matéria sobre as declarações do professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Antonio Natalino Manta Dantas, publicadas no portal Terra:

O professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Antonio Natalino Manta Dantas, atribui ao ‘baixo QI dos baianos’ a nota 2 obtida pelo curso no Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade).

Pode estar havendo uma contaminação das cotas e influência da transformação curricular nesse resultado.

Ainda na entrevista, Dantas afirmou que a tradicional percussão do Olodum é um ‘barulho‘ e que um dos símbolos da Bahia, o berimbau, é um instrumento para pessoas pouco inteligentes. ‘O berimbau é o tipo de instrumento para o indivíduo que tem poucos neurônios. Ele tem uma corda só e não precisa de muitas combinações musicais‘, disse.

Vê-se que o professor Manta, baiano e formado na UFBA em 1960, é daqueles cuja vida prática não contradiz as opiniões. O professor recorre a simplificada idéia numérica de QI – Quociente de Inteligência – para acusar a suposta inferioridade dos baianos. Um erro científico básico: conceitos de raça e de inteligência não são claros na Biologia moderna e não há motivos científicos para pregar diferenças de nível de inteligência entre grupos distintos.

É comum que gente equivocada incorra em falácias – conscientes ou não – favorecendo certos grupos frente a outros segundo aspectos culturais e não relacionados a inteligência. Declarações como as do professor Manta não sinalizam apenas ignorância, são perniciosas, não obstante sejam também risíveis, e seu efeito deve ser a destruição de sua própria reputação, supondo que ele tenha alguma. O professor Manta incorre em velhos erros históricos, talvez, para ganhar o Prêmio Nobel*?

Sobre o berimbau, Tom Zé dá uma resposta esclarecedora, apesar de evidente para quem tem o mínimo de percepção de mundo…

* Referência as declarações do biólogo James Dewey Watson – ganhador do prêmio Nobel – que declarou estar “inerentemente pessimista quanto às perspectivas da África” porque “todas as nossas políticas sociais estão baseadas no facto de que a inteligência deles é a mesma que a nossa – enquanto que todos os testes dizem que não é assim”.

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