Abril 18, 2008...6:46 pm

Um papo esquecido sobre religião

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foto do Flickr de bachmont

Dia desses, numa discussão desinteressada, defendi que, não obstante a importância da Religião para o homem, o religioso em si é – considerando nossa cultura cristã ocidental – alguém de alma degradada e auto-mutilada. Argumentei que uma Religião autêntica teria que ser contracultural em essência – como o foi o cristianismo em suas origens –, pois nossa cultura cristã ocidental estabelecida já não respeita o sagrado, nem as tradições – tudo, agora, é muito fluido e mutável; o nosso ‘Deus’ é hoje um conceito vago pronto para se dissolver numa ‘força vital’ ou ‘consciência superior’; a Igreja Católica é uma instituição sem lugar, mais preocupada com seus efeitos terrenos do que com o outro mundo que prega, nos fazendo crer que Deus foi feito para a Igreja, e não o contrário; e as seitas pentecostais, como a Igreja Universal e afins, representam o que há de mais selvagem no quesito intolerância e manipulação e também ignorância, marcadas por uma tal sede de dominação do mundo e das pessoas que resultou numa das crenças mais ferozmente pretensiosas de nossos tempos.

Na mesma discussão, disse ainda, levianamente, que igrejas teriam sempre uma atmosfera mórbida e doentia – cada fiel levaria consigo ao lugar os seus demônios e tentaria sufocá-los a todo custo, mesmo que inadvertidamente – e por isso mesmo da forma mais perigosa.

1 Comment

  • HEHHEHEH É isso aí. O Cristianismo prega a negação da vida e do prazer, dissemina a culpa, o medo, sustenta a imagem de um Deus cruel e vingativo, onipotente e onisciente (grande paradoxo!), afirma a redenção pelo sofrimento, o que é monstruoso, que espécie de carrasco espera gratidão da vítima pelo sofrimento que lhe inflige?
    Sustenta a resignação ao embasar uma moral de fracos que são acalentados pela idéia do paraíso celeste e de uma vingança imaginária, o sofrimento post mortem dos cruéis.
    Não nego e admiro a religiosidade, o sentimento de sacralidade, encantamento e respeito diante da vida, dos outros e da morte, a apreço a valores elevados e éticos, a empatia. Questiono é a canalização da religiosidade para a religião, em especial para o Cristianismo.
    Fico com Weber: “Quem não tem estômago para suportar a realidade, que procure as igrejas”.
    OBS: Espero que fanáticos religiosos não freqüentem este blog, se for caso, estarei ferrada.

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