A imagem mostra uma lista de chamadas sobre a ‘crise andina’, captada no portal G1 (curiosas a primeira e a última, não?). Não quero opinar sobre as Farc nem sobre Hugo Chávez, tampouco sobre o conflito em questão (pois, para fazê-lo, teria que, além de me basear na imprensa, incorrer em inevitáveis estupidezes ideológicas). Limito-me a tecer um breve comentário estimulado por toda essa picuinha narcótica:
Creio que poucos lamentaram a morte de Raul Reyes, posto que se tratava de um terrorista. O terrorismo é um crime cruel, e não nos parece mal que tais criminosos sejam eliminados, embora esqueçamos que os terroristas de uns são, para outros, guerreiros da liberdade. Tal definição é, quase sempre, ideológica.
Eu, particularmente, me choco menos com o terrorismo do que com as mortes e assassinatos cotidianos e corriqueiros que assolam as favelas brasileiras. Acostumamo-nos a pensar que favela é zona de guerra, e um jovem pobre que lá morre é uma vítima natural das circunstâncias. Estranho e chocante seria um jovem branco morrer baleado quando estava indo, de carro, ao shopping…
Já estamos em guerra Fidel! A guerra aqui é cotidiana. É brutal. Porém é parda e descamisada – tolerada desde que não se fechem os shoppings centers e não impeçam uma prainha no fim de semana…
Já não é nobre ser soldado – ter que morrer por petróleo ou por interesses de grupos econômicos e políticos. Já não é nobre ser guerrilheiro e querer perenizar a guerrilha como mera forma de poder. De um ponto de vista humano, livre da mediocridade, ignorância e hipocrisia habituais, livre da moralidade laica ou religiosa e da futilidade conveniente e acomodada, é mais digno, infelizmente, ser um traficante de fuzil na mão do que um babaca sentado à mesa de um bom restaurante, que critica o crime e a violência e glorifica o capitão Nascimento.
Por Fabricio Kc
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