
O Gusmão me indicou uma breve e muito boa entrevista com o historiador, escritor e jornalista Gilberto Maringoni, publicada em podcast por Luiz Carlos Azenha, no seu Viomundo.
Maringoni fala sobre as eleições que ocorrerão no Paraguai nas próximas semanas, comentando o contexto histórico do cenário político naquele país cuja importância é tão negligenciada por aqui. Interessante saber, por exemplo, que, segundo o historiador, cerca de 40% da população do Paraguai é filiada ao Partido Colorado, entidade que controla o país há 60 anos e constitui hoje uma máquina tão entranhada no Estado que é difícil ser cidadão sem ser partidário. E também que, entre os candidatos à presidência está Fernando Lugo – ex-bispo ligado a Teologia da Libertação – que uniu uma ampla frente política que se estende da extrema esquerda até o centro, prometendo realizar a reforma agrária e ‘financiar programas sociais cobrando mais caro pela energia elétrica produzida em Itaipu e consumida pelo Brasil’. O programa de Lugo visando a justiça social, portanto, atinge sérios interesses brasileiros, especialmente em relação ao ‘Tratado de Itaipu’, firmado na década de 70 entre os dois países, mas que hoje beneficia muito mais o Brasil do que o Paraguai.
O chanceler brasileiro Celso Amorim, no entanto, diz que o tratado é intocável, embora seja legítima a reivindicação paraguaia. As condições do tratado aplicadas a atual conjuntura econômica favorece amplamente o Brasil, subvertendo-o numa forma de imperialismo por parte do país.
Questões como a nacionalização do Gás na Bolívia e a de Itaipu – que ainda vai dar manchetes – expõem as difíceis contradições inerentes à questão da soberania nacional. Talvez seja necessário repensar o modelo, avançar na integração política sul-americana, construindo uma proteção menos rígida assentada em princípios mais razoáveis do que no chauvinismo mentiroso da grande imprensa nacional.
Ouça a entrevista (7 min.) no Viomundo.
Por Fabricio Kc