Inclusão digital e Cultura digital – não basta acessar, tem que compreender

foto do Flickr de gustavopicon

 

O celular P2P (peer-to-peer), em fase de desenvolvimento pela empresa sueca TerraNet, pode, segundo Sérgio Amadeu, acelerar a inclusão digital. Isso porque, com a nova tecnologia, ‘todo telefone celular passaria a ser um aparelho que além de transmitir e receber chamadas também poderia retransmitir o sinal de outros aparelhos’, sem torres, sem operadoras, podendo ainda ‘se conectar com um roteador Wi-Fi e enviar e receber seu sinal através do protocolo de Voz sobre IP, ou seja, utilizar o Skype, por exemplo.

A Samsung, por sua vez, anuncia que vem desenvolvendo uma nova tecnologia que será aplicada em conversores digitais (set-top-box) que ‘possibilitará exibir conteúdo da internet em televisores sem a necessidade de computador.’

A Google já oferece Wi-Fi gratuito em São Francisco, nos EUA, como início de um suposto enorme projeto que deverá abranger as maiores cidades do mundo – um plano para, quiçá, conquistar o universo.

O futuro da internet cintila e já nos atinge os olhos. As ameaças sobre as indústrias convencionais persistem agora com mais robustez, não mais como a primeira bolha especulativa que gerou impérios baseados no nada. Agora os negócios são de verdade!
Muita coisa vai mudar.

Contudo, falamos muito de inclusão digital, de ampliação do acesso à rede mundial, e quase nada de ‘cultura digital’. Falamos do abismo digital entre quem tem e quem não tem acesso à internet. Mas não nos preocupamos ainda com o seu uso, com a exploração plena de suas possibilidades totais e com a enorme carência de cultura digital mesmo entre aqueles que acessam a rede regularmente. Gente que ‘usa’ a internet, mas não a pratica – que a utiliza como próteses do tipo de conteúdo típico da TV, como o culto as celebridades a o estímulo ao consumo.

A carência de cultura digital também atinge quem nos governa. A ignorância em relação à dinâmica da rede mundial produziu episódios que lançaram ao ridículo as estruturas de poder do Estado, como o caso do bloqueio do site Youtube, e do projeto de lei proposto pelo Senador tucano Eduardo Azeredo, que não vale nem sequer um comentário aqui. Quem carece de cultura digital não poderá governar.

Que venha o Google com o Wi-Fi gratuito, que os celulares P2P nos livrem das telecoms como as conhecemos hoje. Que a internet seja livre e de todos. Mas que, sobretudo, as estruturas sejam descentralizadas; que a difusão do conhecimento e da cultura seja democratizada, universalizada; que tudo o que é sólido se desmanche no ar… Internet como potencial do compartilhamento do ‘conhecimento total’, não só acessível a todos, mas entendida por todos, compreendida em sua essência.

Por Fabricio Kc

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