A Microsoft está assistindo você

A revista Carta Capital noticia que a Microsoft quer oferecer (comercializar) informações pessoais de telespectadores (de TV mesmo!) para uso publicitário. A empresa americana propõe métodos, baseados em aparatos de alta tecnologia acoplados ao aparelho de TV, para captar – chamemos assim – dados muito específicos do indivíduo sentado em frente à tela. As informações seriam repassadas a publicitários, ajudando-os a criar campanhas personalizadas para cada usuário.

Carta Capital informa que a “Electronic Frontier Foundation (EFF), organização americana composta de advogados e que defende ‘a liberdade no mundo digital’, agiu contra o Google em caso semelhante e tem o novo sistema da Microsoft na mira”.

Trata-se de uma nova e perigosa idéia da Microsoft, cujo potencial de opressão é aterrador. A princípio, a empresa alega que haverá limites no uso das informações, mas a história nos mostrou que conhecimento é poder, e todo poder quer mais conhecimento e informações.

Empresas como Google e Microsoft dispõem de um poderoso banco de informações de cada usuário de sistemas operacionais e serviços online. Se um internauta estiver logado em um serviço de busca, por exemplo, os termos digitados em cada busca podem ser relacionados diretamente ao perfil do usuário cadastrado nos bancos de dados da empresa fornecedora do serviço.

A dúvida é: têm tais empresas o direito de utilizar as informações dos usuários como queiram? – É certo que a internet amplia a nossa liberdade, mas também pode se converter em geradora de eficientes ferramentas de opressão. A privacidade é um direito humano fundamental e tal grau de violação é uma ameaça que não deve ser tolerada. O objetivo da Microsoft, no caso, é o marketing dirigido – mas nós, simples mortais, não podemos ter certeza de que Google e Microsoft não façam – ou permitam que alguém faça – usos mais obscuros das informações.

Mais cedo ou mais tarde perceberemos, talvez, que preservar o direito à privacidade – seja na internet ou assistindo à TV – se torna cada vez mais difícil, e a sensação de vigilância e potencial opressão pode se tornar insuportável. – Temos, ainda bem, como direito de legítima defesa, o universo do Open Source e do Software Livre. Cabe a nós utilizá-lo.

Por Fabricio Kc

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