Somente o que passa permanece…

‘Adeus’ talvez seja a palavra mais cruel do mundo. Flui da boca, exigindo pouco esforço dos lábios. Se a palavra é dita de perto, a meia voz, soa sempre grave – se muito tarda, é disparada em menos de um segundo!… fere para a vida inteira.

Disse-me adeus a pessoa que amo! Assim, como quem não revelou mais do que o óbvio. Lembranças de futuros imaginados se dissolveram desumanamente. Lembranças de um passado rico e extravagantemente intenso têm agora um lugar fixo na memória, encerrado, sem saídas para outros tempos que não os que passaram.

Tudo agora é novo. O vento na cara é um vento novo. Cada amanhecer é novo. Nos primeiros dias, confesso, pareceu que o mundo inteiro ficou pequeno e morreu. A falência dos ideais ficou mais nítida. À noite, contemplando o céu, pela primeira vez percebi que a escuridão é maior do que a belíssima mentira das estrelas.

Todo mundo vive uma busca, sempre. – E eu ainda não encontrei o que procuro. Melhor assim. Saber quem se é é estar parado. Definir-se é quase que matar-se. Viver é perder-se, sempre. E nós caminhamos buscando algo que dure, pelo menos, o tempo de uma crença. Mas tudo sempre passa…

Por Fabricio Kc

One Response

  1. Tocante, até sinto uma pontada no peito em pensar em escutar um adeus desses. Mas sei q qd isso acontece, com o chegar da noite tudo piora!

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