
Faça amor, não faça guerra! contudo, nesta era do capitalismo do desastre, tanto o amor quanto a guerra constituíram as bases da economia de mercado – e a contestação a tal sistema fez gerar mais uma indústria: a da rebeldia.
Os movimentos de contestação do ‘sistema’ nascem, basicamente, da necessidade humana de diferenciação. Mas o que vemos cotidianamente é que, por vezes, o comportamento mais contracultural pode ser também o mais medíocre, o mais submisso. Os shoppings estão cheios de punks e grunges, e é lá nas megastories que compramos a Sociedade do Espetáculo (pdf), talvez a crítica mais contumaz ao sistema social vigente. O hip hop, movimento musical-cultural-social dos guetos está também em algumas paradas de sucesso. E o sistema não mudou.
Apesar de tudo, convergindo e catalisando todas as tendências culturais, a internet, ao meu ver, já iniciou a real contestação ao ‘sistema’. A obsolescência das leis de direito autoral e de propriedade intelectual frente às novas conjunturas sociais e tecnológicas é o primeiro sintoma de transformação, enfim, autêntica. Sólidas indústrias começam a se ‘desmanchar no ar’. Obviamente, outras surgem no lugar – há as novas majors da sociedade em rede, como a Google e a Microsoft. Porém, o terreno da web é fluido, e a sua dinâmica essencial é a anarquia (entendida como ausência de coerção). A imprevisibilidade é a regra – contudo, podemos ter como certo que tanto a ferocidade mercantil concentrada quanto a mesmice das estruturas discursivas de esquerda darão lugar a uma nova ordem – ou ao caos. A internet é filha da guerra, mas cresceu com a liberdade.
O problema é que enquanto esperamos, Kurt Cobain se matou, Nietzsche enlouqueceu, Marx morreu… e eu mesmo já não passo muito bem.
* A imagem no topo é do livro (de viés liberal, parece-me, pois não o li): ‘Rebelarse vende – el negocio de la contracultura’ de Joseph Heath y Andrew Potte.
Por Fabrício Kc