
Vi lá no blog do Tiago Doria que o Brasil está no mapa da censura* na internet por conta do bloqueio do youtube – determinado judicialmente – no episódio Cicarelli, no começo deste ano.
Pressupor que se pode controlar o fluxo de informação na internet é ostentar um olímpico desconhecimento de como a rede funciona – o caso Cicarelli deixou isso bem claro. É sabido que a livre difusão da informação não interessa a todos, visto que ‘tal perigo’ tira o sono dos que detém o monopólio industrial/político das idéias. Mas o embate entre a livre difusão da cultura e as barreiras da propriedade intelectual e da tirania ideológica draconianas já começou e já aponta, ao meu ver, para um dos lados: hoje, na internet, impedir a difusão da informação não é só indesejável, é impossível! Censurar conteúdo na rede é sempre um processo complexo e falho, até mesmo na China…
O governo Chinês quer refazer a internet para melhor controlá-la – implementar uma espécie de internet local, limitada, domesticada. O mais grave é que tal projeto pode contar com o apoio de empresas ocidentais como Microsoft, Yahoo e Google. As dificuldades que as empresas enfrentam para entrar no enorme mercado chinês serão diminuídas se elas colaborarem aceitando e desenvolvendo mecanismos de controle e censura de suas páginas e serviços. Se tal empreitada se consolidar, seria o prenúncio de um desastre. Mas, por outro lado, se os chineses pensam em criar uma outra internet domesticada e submissa, é porque o intuito de censurar a atual não está tendo êxito suficiente. Não se pode domar a internet.
É certo que há mal usos da liberdade que a internet oferece que devem ser combatidos. Mas é necessário encontrar outros meios de solucionar esse tipo de problema, posto que o recurso da censura, além de ineficaz e danoso, não faz mais do que expor as instituições judiciais ao ridículo. As leis precisam adaptar-se às novas realidades.
O Brasil está no mapa da censura, mas a web não está a serviço da tirania!
* O mapa é uma ferramenta do Global Voices Online, um projeto da Escola de Direito da Universidade de Harvard, que analisa o impacto da internet na sociedade.
[...] se quiserem, me acusem agora de otimismo pueril, mas suspeito que a internet é incorruptível, indomesticável, indomável. A humanidade, todos sabemos, está em vias de extinção, mas até lá a sua capacidade de contar [...]