Navegar é preciso, Tv Digital não é preciso

A internet é o futuro.

Uma sociedade em rede resulta, talvez, da homogeneidade moderna/pós-moderna/capitalista, que nos faz perceber uma extrema semelhança de pontos de vista em lugares muito distintos e distantes entre si. É comum encontrarmos emoções padrões acerca do amor, do sentido da vida e da morte formadas segundo a receita, por exemplo, do cinema hollywoodiano ou das novelas da globo.

Contudo, Bertrand Russell (1935) declarou que ‘quanto maior a uniformidade, mais ávida é a busca de diferenças para atenuá-la’. – e eu concordo. Toda localidade quer ter seu diferencial, e até os indivíduos buscam avidamente mostrar os seus próprios motivos de orgulho – criamos blogs também para isso.

Ainda bem que a uniformidade do aparato físico da vida (as estruturas sociais) não chega a ser um problema grave – muito mais perigosa é a uniformidade de pensamento e opinião. E a internet, que surgiu da guerra, nos oferece hoje a possibilidade de um sociedade diferente, mais democrática, nos apresenta um futuro menos nefasto do que aquele de nossos pais – nos propõe algo mais humano. Uma sociedade na qual o trabalho é menos nocivo ao espírito, tornando o ócio uma atividade inovadora e fecunda. A rede é hoje mais do que um novo âmbito de presença social, com suas vantagens e suas inconveniências – a cada dia, ela deixa de ser uma ferramenta a mais ou um luxo mais ou menos útil, para se tornar uma necessidade plena.

A internet se integra em nossa vida e se torna imprescindível. Facilita a vida como ferramenta; pode ser um grande negócio, e também é fundamental aos pequenos; tem o poder de democratizar e difundir o conhecimento; e, claro, traz também problemas que devem ser combatidos. Cabe a nós, que fazemos a sociedade, maximizar as vantagens e reduzir as desvantagens.

Isto traz conseqüências. As grandes empresas de mídia têm menos controle das idéias à medida que cresce o acesso à rede. Os políticos têm mais dificuldade em exercitar a demagogia e, o mais importante, na internet o eleitor tem voz! o jornalista independente – que cumpre a função de mediador entre comunidade e realidade – tem voz! O acesso a internet deve ser, portanto, facilitado, melhorado e ampliado – ainda é muito caro e limitado no Brasil e em muitos outros países.

Navegar é o futuro. Qualquer atraso na democratização do acesso a internet prejudica a todos nós. Não precisamos de TV Digital, precisamos navegar… e ver o que acontece.

Por Fabricio Kc

5 Responses

  1. No caso do Brasil, o problema maior não é nem decidir em qual “plataforma” investir (TV ou internet) quando se trata de programas de entretenimento e informação para as massas. Não adianta nada ter o melhor em tecnologia se não há qualidade no conteúdo – e é o que, infelizmente, ocorre hoje.

  2. É guilherme…
    Mas eu ainda acho que a internet não está sob controle de ninguém ainda, apesar de haver o conteúdo dos “medalhões” (muitos acessam como extenão da tv – para ver fofocas e novelas, etc). Mas existem outros conteúdos disponíveis, enquanto na TV o conteúdo depende de quem a controla…

  3. Concordo com o que você diz, mas eu vejo na TV pública uma esperança de democratizar os programas na tv.
    Gostei muito do modo que você escreve.
    Dê uma passada no meu blog pra gente fazer uns debates.
    Abraços,
    Marcela Mattos

  4. [...] que a internet, com o desenvolvimento da IPTV – e quando tivermos banda larga no Brasil – tornará obsoleta a incipiente TV Digital. O Youtube é hoje o maior difusor de microproduções independentes, e isso é um fato consumado. [...]

  5. [...] Desliga a TV e vai pra internet! [...]

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