Histeria anti-pirataria

A Operação Estação, de combate à pirataria, apreendeu nesta quinta-feira, 6 de dezembro, em Salvador, milhares de CDs e DVDs piratas, além de outros produtos como calçados e óculos. O rapa aconteceu no camelódromo da estação rodoviária, perto do shopping Iguatemi, região de intenso movimento e comércio informal.

Exemplar! Mas a quem interessa tal operação?

Está claro que falsificar produtos e comercializá-los é crime, mas no caso em questão, quem são as vítimas? O camelódromo que, como tantos outros em tantas cidades, funciona há décadas, atende a uma parcela da população que sustenta tal permanência e crescimento. Quem compra ali sabe que os produtos não são originais e quem os vende não tenta passá-los como tal. O atrativo para quem vende é a renda proveniente da grande demanda, para quem compra é o preço – mas ninguém sai enganado dali no que se refere ao produto, – trapaceados como clientes da loja Daslu ou ludibriados como nós que compramos um litro de leite no supermercados formais.

Está claro, muito claro, que um Estado de Direito pode e deve recorrer à Polícia – e esta, num Estado ideal, deve deter o monopólio da força – para fazer valer as leis democraticamente estabelecidas. Mas as leis são mutáveis porque as sociedades também o são. Considerando, por exemplo, o caso de D. Maria, que vende mercadorias no camelódromo há quase 20 anos e teve todo o material apreendido: não nos seria lícito questionar se operações como esta, que atingem apenas o varejo da pirataria, devem mesmo se constituir como políticas públicas draconianas que empregam, só neste exemplo de Salvador, mais de 150 agentes das duas polícias estaduais – civil e militar – e de mais seis órgãos públicos?

Estaríamos, assim, caindo numa histeria anti-pirataria? Essas operações policiais sistemáticas de combate à pirataria não beneficiam quem compra – consciente e voluntariamente – os produtos falsificados; e prejudicam, sobretudo, aqueles que criaram um mecanismo de sobrevivência através do comércio informal de produtos ‘piratas’ – a quem, então, tais operações interessam?

3 Respostas

  1. Olá, Tal operação interessa a mim, aos 29 ex funcionários das minhas videolocadoras que perderam seu emprego com carteira assinada ,férias etc….Interessa também aos restaurantes aos quais eu ia e não posso mais frequentar, interessa ao meu filho que teve a pensão reduzida pela metade porquê não posso mais pagar, interessa aos donos dos imóveis que eu alugava e tive que devolver as salas, interessa a indústria do cinema que precisa ter lucro, interassa aos viajantes que fazem os pedidos de filmes,
    MAS PRINCIPALMENTE INTERASSA AO ESTADO DE DIREITO POIS NÃO EXISTE UM PAIS CIVILIZADO QUE DEFENDA O ROUBO….E O NOME PIRATARIA JÁ DIZ…É ROUBO SIM..
    nunca na historia dste país houve tantos empregos com carteira assinada, logo o que falta não é emprego..é vergonha na cara….

    Desabafo de uma pessoa que comecou com 1.000 fitas de video dezoito anos atrás…cheguei a ter 6 videolocadoras e aprox. 50 funcionários e hj estou pior do que quando comecei…….com 18 anos a mais.
    Marcello Cataldi

  2. Marcello,

    A demanda de seu negócio preferiu outros canais para adquirir DVDs. Por quê? Claro que a pirataria é crime e devemos pensá-la, mas se a demanda existe e apenas se transferiu, é o caso de rever também o modelo de negócios.

    Abs

  3. Olá Fabricio,
    a demanda seguiu outro caminho porquê o Brasil é o país da lei de Gerson, todos reclamam das coisas erradas mas sempre que se apresenta uma oportunidade de ganho fácil ou de se comprar facilidades “estamos aí” né então o sujeito reclama da fila dupla…mas ele tambem faz qdo vai buscar o filho na escola, ele reclama da saúde pública mas sonega impostos, ele não percebe que a cada vez que entramos na informalidade todos perdem se não fosse assim os países informais (Paraguai, Bolivia, colombia entre tantos teriam um IDH maravilhoso e nós sabemos que não é isso que acontece !!
    Aí eu pergunto porquê não comprar um carro roubado pois é muito mais barato, ou comer em um restaurante e sair sem pagar….ou fazer um empréstimo e não pagar …..afinal fica muito mais barato e a demanda seria muito maior…só transferir !!!!!!
    Eu discordo sobre o modelo de negócio pois se os piratas pagassem os direitos autorais e implantassem um modelo diferente …tudo bem, mas eles roubam o conteúdo e distribuem com custo próximo ao zero. Onde os vendedores se ficarem doentes ou utilizarão a precária saúde do Estado fazendo pesar ainda mais o sistema ou estarão desatendidos e posteriormente sem aposentadoria, 13salario, férias e tudo mais.
    Gostaria que vc pudesse ver nossas lojas com 100, 150 e até 200 metros quadrados e com acervo de até 10.000 filmes todas lindas e maravilhosas com acesso a internet ,café, refrigerantes, sucos, chocolates, pipocas………..vazias…….
    Conta simples 10.000 x 100,00rs = 1.000.000,00 (um milhão de reais) em compra de filmes 20% de imposto e temos 200.000,00 reais em impostos diretos na compra de filmes somente para uma loja !!!!!!! Fora: inss dos funcionários, 27% de imposto sobre a conta de luz 950,00rs mês = 256,00 e por aí vai ….
    Abraços

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