Domingo, 2 de dezembro, é dia de dupla estréia no panorama estrutural da TV brasileira com os lançamentos da TV Digital e da TV Brasil: a primeira é um novo modelo tecnológico; a segunda, uma nova emissora pública. Espera-se que a TV Digital proporcione excelente qualidade de imagem e som além da aclamada ‘interatividade’ – embora haja o risco de vermos suas vantagens reduzidas a novas ferramentas de marketing, de publicidade e de estímulo ao consumo, em detrimento da democratização da produção de conteúdos e da pluralidade de canais e pontos de vista na TV. No que se refere a TV Brasil, a expectativa é que a emissora ofereça novas alternativas de programação e nova dinâmica de produção da informação como ‘bem público’ – diferenciada daquela que rege as empresas de mídias privadas, cujas receitas se baseiam, ao fim e ao cabo, no volume de audiência.
Entretanto, embora o discurso seja claro e correto – estabelecer o caráter público da TV Brasil – a emissora é quase que exclusivamente vinculada ao Governo Federal, e este é, afinal, quem vai ‘pagar as contas’. Esta é uma diferença crucial entre modelos de financiamento de TVs Públicas que deram certo em outros países, como a Inglesa BBC, cuja receita provém de taxas anuais pagas por cada domicílio com aparelho de televisão. No Brasil, considerando a alta carga tributária, tal modelo não seria viável, e o financiamento da nova TV Pública, enfim, depende de políticos. A vantagem da BBC, considerando a sua fonte e modelo de financiamento, é que a emissora – uma das mais respeitadas do mundo – sabe bem quem é o seu ‘dono’ e exatamente a quem deve prestar contas. Aqui, visto que quem ‘pagará as contas’ da TV Brasil é o Poder Executivo, será difícil para qualquer governo resistir a tentação de interferir na gestão da emissora. Caberá aos dirigentes da recém-criada Empresa Brasileira de Comunicação – EBC (à qual está vinculada a TV Brasil) e ao seu Conselho Curador (15 representantes da sociedade civil nomeados pelo Presidente da República), estabelecer a necessária e fundamental isenção editorial, e anular as possíveis tentativas de interferência governamental.
Afinal, o Governo paga, mas nós é que damos o dinheiro – é bom prestarmos alguma atenção.
Por Fabricio Kc
Olá
Acho essa história de TV Digital uma grande baboseira! Não entendo como as pessoas conseguem ficar emocionadas pq a TV vai ter imagem melhor, ou vai ser interativa… é muita falta de visão, se as pessoas se importassem com educação na mesma medida que se importam com televisão, nosso país estaria bem melhor.
Mas essa é só a minha singela opinião.
Beijinho pra ti.
Aninha.
Não sei se vai fazer diferença para a maioria da população se o governo decidir usar a TV Brasil a seu favor, afinal poucos se interessam por cultura brasileira – que parece ser o principal foco da emissora.
Mas, pelo que pude conferir, houve uma relativa melhora no conteúdo da emissora em relação à agora extinta TVE. Ficou um pouco mais acessível ao público em geral, e não somente aos intelectuais. Eu mesmo só assistia ao “Castelo Rá-Tim-Bum” para lembrar meus tempos de criança, mas agora me vejo encontrando outros programas interessantes que antes não havia.
Se continuar assim, acho que será uma boa. A “prova de fogo” será quando as próximas eleições para presidente chegarem…