A SCANNER DARKLY (EUA, 2006)
ficção científica, drogas, vigilância

Dirigido por Richard Linklater (Waking Life, 2001) e baseado na obra de Philip K. Dick (cujas histórias renderam outras populares adaptações como Blade Runner e Minority Report) o filme A Scanner Darkly causa uma sensação de perturbação, não só pelo enredo psicocentrado, mas pela aplicação da técnica chamada rotoscopia, que transforma a filmagem em animação, possibilitando maior força na simulação de efeitos pscotrópicos e cognitivos.
Incomoda – e isso é bom! – o fato de o filme ser ambientado num futuro próximo. As tecnologias de vigilância utilizadas no filme para controlar uma sociedade consumida pelas drogas já existem (exceto uma roupa especial inquietante usada para manter em segredo a identidade de agentes secretos). É desconfortável não saber ao certo o que controla o que – se é uma agência do governo ou algo que o valha…
O filme é cheio de papos de drogados, diálogos desorientadores e pensamentos neuróticos – mas mesmo assim propõe uma atmosfera reconhecível para quem já experimentou outros estados de consciência. A crítica as drogas é indireta e perspectivista e o desenrolar do enredo, até o finalzinho, faz crescer gradualmente a experimentação do absurdo de uma sociedade degradada pelas drogas, de um lado, e pelo controle abusivo, de outro – tendo no meio dessa merda toda o estilhaçado Bob Actor (Keanu Reeves) e por trás das cortinas decadentes, a indústria no pior sentido da palavra.
Vejam o trailer aqui.
A Scanner Darkly, 100 mins. Direção: Richard Linklater. Estrelando: Keanu Reeves, Winona Ryder, Robert Downey Jr., Woody Harrelson, Rory Cochrane.