SEGUNDAS-FEIRAS AO SOL (Espanha, 2002. Direção: Fernando Leon de Aranoa)

Dois camaradas se encontram na Rússia depois da queda do comunismo:
- Tudo o que nos disseram sobre o comunismo, afinal, era mentira! – disse o primeiro.
- Sim. Mas o pior é que tudo o que nos disseram sobre o capitalismo, afinal, era verdade! – retruca o segundo.
Com humor sutil (e uma bela trilha sonora), o filme retrata o cotidiano de um grupo de amigos desempregados que se encontram num bar todos os dias para compartilhar suas pequenas tragédias. Santa (Javier Bardem: ‘Mar Adentro‘),o personagem que sustenta o filme, resume bem a falência do idealismo socialista – o fracasso vivo do humanismo que continua forte. No bar, conversas bem humoradas, outras tensas, desânimos, amizade… conversas que refletem os medos e o que há de infantil em cada homem. Ali o filme revela um de seus aspectos mais especiais: o efeito idiossincrático da situação social e existencial de cada um. O desemprego acaba por afetar todos os aspectos da vida, gerando sucessivos dramas. Mas sempre o humor, e por vezes o silêncio.
O silêncio no bar, o orgulho de Santa, e sua força. O desespero mudo de Amador. O esforço conscientemente inútil de Lino. Uma atmosfera niilista no bar… mas eles estão vivos, e ainda sorriem quando passam mais uma segunda-feira ao sol.